“A missão antes de ter uma conotação humana que fala da tarefa da igreja, antes de ser da igreja, é de Deus. Esta perspectiva nos guarda contra toda atitude de auto-suficiência e independência na tarefa missionária”[1]
É possível perceber no Antigo Testamento considerando toda sua narrativa, Deus em seu compartilha com o ser homem sua idealização, logo, nas primeiras linhas: que nasceria de uma mulher, o Messias. (Gn 3:15; Is 9 e11), lembrando que o AT não fala explicitamente de “missão” em sentido atual.
Já no Novo Testamento não há uma página se quer que não “respire” a missão integral da igreja, as coisa se tornam mais explícitas. Seus escritos são de autores, que estiveram face a face, salvo alguns, com o idealizador da “Mission Dei”. Confirmando essa exposição descrita Gildácio Reis cita Jhonnes Verkuyl, que diz:
“Do começo ao fim, o Novo testamento é um livro missionário. Ele deve sua própria existência ao trabalho missionário das igrejas cristão primitivas, tanto a judaica como a helenística. Os evangelhos são “recordações vivas” da pregação missionária, e as Epístolas, mais do que uma forma de apologética missionária, são instrumentos atuais e autênticos do trabalho missionário”
Logo, fica clara a relevância do Novo Testamento no contexto da missão Integral da igreja, tornando viva a esperança de proclamação do Reino de Deus na terra.
Tempos depois o movimento da Reforma que segundo Dr. Antonio Carlos Barro[3]: ‘oferece a plataforma para o desenvolvimento do cristianismo protestante”, porque foi apartir dela que os cristãos passaram a ter suas traduções da Bíblia e com liberdade faziam a leitura. John Huss,esse homem piedoso e cheio da graça de Deus, que dirigia uma paróquia e por defender a integridade da Palavra de Deus, foi condenado a morte deixa um legado fantástico. Sua expressão “podem matar o ganso, mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar” Esse homem foi Martin Lutero, “que refutou o sistema da Igreja Católica, afixando as 95 teses na porta da Abadia de Wittenberg”, que se tornou um “divisor de águas” na história cristã.
Outro fruto de Huss foi seus seguidores continuarem se reunindo, e posteriormente o acolhimento do Conde de Zinzendorf, dando origem aos Moravianos, que tiveram um profundo impacto no mundo, chegando a realizar “em 20 anos o que os reformadores não fizeram em 200 anos”. Que por sua fez influenciou vidas como Carlos e John Wesley, homens que marcaram seu tempo e gerações futuras.
A Reforma deu um novo “rumo” para cristandade, suas influências para a missão é impossível calcular, embora tenha tido pouca expressão missionária, pois o conceito de missão cristã era romper fronteiras, envolvimento transcultural, mas como mencionado foi à plataforma para todo o cenário posterior da Missio Dei.
Na atualidade a Missão Integral vem buscado um romper de paradigmas da missão cristã. Homens como: Samuel Escobar, Orlando Costas, René Padilla entre outros, que tem exposto suas vidas em favor do Reino de Deus, tem se esmerado nessa labuta.
A Missão Integral da Igreja parte de uma visão mais holística do ser humano e busca repensar o papel do cristão na sociedade hodierna, apartir do Reino de Deus. Numa abordagem de aproximação tradicional, René Padilla propõe em seu livro[4] uma ampliação do conceito de missão de até então, comentando que missão transculturas não engloba a totalidade da missão integral, portanto é necessário sim, um cruzamento, mas não apenas geográficos. Em outras palavras, “cada igreja, onde quer que esteja, é chamada a participar na missão de Deus uma missão que tem um alcance local, um alcance regional e um alcance mundial”.
Acredito e oro que a realidade atual, onde ainda infelizmente é como diz: Robet G. Clouse[5]: “Apesar de o trabalho missionário ter sido sempre um elemento importante da história do cristianismo, normalmente era a preocupação apenas da minoria” possa mudar significamente nesse contexto pós-modernos.
Autor: Edson Miranda
[1] Extraído da citação no artigo do Rev. Gildácio Reis: Paradigmas Missiológicos no Novo Testamento.
[2] Professoro Rafael Ribeiro, ThM. Apostila Analise de Isaias: um comentário hermenêutico.
[3] Antonio Carlos Barro É Presidente da Faculdade Teológica Sul-Americana, na mesma cidade. É formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos.
[4] O que é missão integral? / C. René Padilla. – Viçosa, MG : Ultimato, 2009.
[5] Dois Reinos, A igreja e a cultura interagindo ao longo dos séculos. 2003 Ed. Cutura Cristã.
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